sábado, 20 de janeiro de 2018

Golden Age



A australiana Kylie Minogue faz incríveis cinquenta anos em Maio e um mês antes sai seu novo álbum, Golden. O primeiro single, "Dancing", foi lançado ontem. Bom pop; dançante, radiofônico, remixável. Curiosamente, quando ouvi os "aaaaaahh aaaaahh" do refrão, lembrei de cara de um trecho parecido contido em "Porta Aberta", da nossa Luka (hitaço aqui no Brasil, lançada em 2003). Nem tô cogitando plágio - longe disso -, achei parecido e só. Na verdade, fora a vocação pop de ambas, elas pouco tem em comum (agora, a Kylie com 49, o que tá gata... benza Deus).

"Dancing":


"Porta Aberta":

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sexta Feira Bagaceira: Gottsha


Se a sexta é bagaceira, esqueçamos os pudores. Sandra Maria Braga Gottlieb - Gottsha - carioca, cantora e atriz. Seu debut é o álbum No One To Answer, de 1995: dance canarinho padrão Jovem Pan fartamente inspirada na eurohouse vigente. O disco - todo em inglês - rendeu alguns singles de relativo sucesso nas FMs brasileiras. Além da faixa-título, "Break Out" e "Do You Wanna Love Me?" experimentaram uma certa popularidade por aqui. "Do You Wanna Love Me?" é minha preferida: com uma chupada na cara dura da batida de "The Sign" (um inesquecível reggaezinho sintético dos suecos do Ace Of Base, produzido pelo saudoso Denniz Pop), uma letra de duas estrofes e um refrão repetido ad infinitum, a faixa parecia ter sido feita na medida pra emplacar nas pistas suarentas da América do Sul (até um 12" promocional foi prensado), mas acho que não ultrapassou a categoria de semi-hit. O que é inegável é que - apesar das composições fracas - Gottsha canta muito. Intencionalmente ou não, a música contida em No One To Answer é dance exageradamente pop e sua ótima voz foi subaproveitada. Poderia ter virado nossa diva house dos 90.

"Do You Wanna Love Me?": semi-hit.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Queen Of The Night


Estreou ontem o vídeo para o novo single solo de Tracey Thorn (Everything But The Girl). "Queen" precede Record, o primeiro álbum de Tracey desde Love And Its Opposite, de 2010 e que deve ser lançado em Março. O vídeo, simplesinho como a canção, mostra a cantora dando um rolê de carro no que pode ser a noite londrina. Synthpop contido, "Queen" pode não ser algo tão memorável quanto várias faixas inesquecíveis que ela produziu com Ben Watt no EBTG ("Temperamental", "Walking Wounded", "Wrong", "I Didn't Know I Was Looking For Love"), mas a elegância e o timbre único de Tracey Thorn são mais do que bem-vindos, do jeito que for.    


"Queen": rolezinho na night.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

It’s Very Electronic


Não me impressionou muito a nova do bom Editors, "Magazine". O single precede o próximo álbum do grupo, Violence, programado pra Março. Ouvindo "Magazine", lembrei de "Where's the Revolution", recente canção do Depeche Mode - mas mais pela temática (política, corrupção, poder) do que pelo som. Tom Smith, vocalista, letrista, tecladista e guitarrista do Editors, andou dizendo que Violence trará um equilíbrio muito bem dosado de rock e eletrônica ("... when it’s electronic, it’s very electronic..."), como jamais a banda conseguiu. A perspectiva de um novo trabalho (do ponto de vista do artista) é sempre a de que o melhor álbum é o próximo, então descartemos a perigosa expectativa gerada por Smith baseados pela simples audição de "Magazine", uma música apenas OK, mas que pode até render um versão bacana pra pista - todo mundo lembra do remix espetacular do grupo inglês Cicada para "Munich", faixa do Editors de 2005.


"Magazine": regular.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Bruxa à Solta


Por onde andava a Witch House? Com alguns nomes curiosos e/ou engraçados (Gvcci HvcciGuMMy†Be▲R!oOoOO), algumas coisas realmente interessantes (SalemClams Cassino), temática ocultista, eletrônica e batidas arrastadas, o (sub)gênero parece ter sumido com a mesma velocidade que ascendeu (lá por 2009/2010). Mas deixou alguns vestígios, como o misterioso (esconder o próprio rosto parece ser outra característica dos produtores de witch house) e impronunciável GVLVXY ("galaxy", dá pra sacar no primeiro sample de voz que aparece). Não sei quem é, de onde vem, como vive, nem do que se alimenta, mas sua "Ashia" apareceu agora no comecinho do ano e me fez voltar uns sete anos no tempo - e é uma nostalgia boa de sentir, porque a música é bacana: instrumental curiosamente tageado como electro na página do Soundcloud, mas que vem com aquele mesmo beat lento e seco, bumbos gravíssimos, clima fúnebre e samples vocais tensos. Bem-vinda a 2018, bruxa.


 
"Ashia": de volta à floresta.