segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#04: Aufgang)


Inicialmente como um trio com integrantes da França, Líbano e Luxemburgo e agora como um duo, o Aufgang lançou seu terceiro álbum ano passado, o bom e variado (o que - pela formação pancultural - nem é de se estranhar) Turbulences, pela Blue Note. No som da banda, o que fica mais evidente é a saudável fusão do primeiro (música eletrônica) com o terceiro mundo (música tradicional). A aproximação do Ocidente com o Oriente reflete em algumas canções um tanto mais experimentais e outras em que o Aufgang acerta em cheio a dosagem dos elementos, como essa "Mizmar" - a melhor faixa de Turbulences. Eu não escutava algo tão bom do tipo desde "Living on the Ceiling", do Blancmange (1982).

Techno Descendente


Tentar entender o nome da faixa que o DJ e produtor alemão Robag Wruhme acabou de lançar faz tanto sentido quanto procurar saber o porquê de um nome artístico tão impronunciável quanto o seu verdadeiro (Gabor Schablitzki). "Xmop-198" perde em inventividade para o seu último EP (Cybekks, de 2015) e ele mesmo parece prever a onda de narizes torcidos com um comentário no Soundcloud ("But please! It's Techno inside."). O que Wruhme disponibiliza desta vez é techno minimal e monocórdico, sem variação, sem riffs e sem melodia. Uma linha de baixo e umas chicotadas de sintetizador. Perto do que ele já fez, achei fraquinho.

"Xmop-198": descendo um degrau.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sexta Feira Bagaceira: The Voice In Fashion


Em 1988, os Pet Shop Boys estavam tão entusiasmados com o synthpop cucaracha - leia-se freestyle - que foram em pessoa gravar o single "Domino Dancing" no estúdio do papa do gênero, Lewis Martinée, em Miami. Martinée vinha de três hits Top 5 na Billboard (com suas protegidas Exposé) e acabara de produzir o single "Give Me Your Love", do Voice In Fashion - que fez os vocais de apoio para "Domino Dancing".


"Give Me Your Love" não chegou a ser sucesso planetário, mas ganhou boa execução nas rádios e pistas de dança, no final dos 80 e começo dos 90. Por aqui a faixa saiu em duas coletâneas: numa versão editada (Diet Pan, da rádio Jovem Pan) e numa extended (Dance Remix). Por conta dessa música (mas não sei com que repertório), a banda excursionou pelo Brasil em 1992, incluindo aí uma bizarra aparição no programa Xuxa Show e outra no não menos bisonho Fausto Silva. Ê laiá.

"Give Me Your Love": paquitas e playback.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#05: Dub FX)


Quem diria que da Austrália viria um reggae tão potente quanto esse em 2016? Artista de rua, cantor, compositor e produtor, Benjamin Stanford vem desde 2004 experimentando com fusões entre rap, reggae e drum'n'bass - mistura que fica bem evidente em "So Are You", faixa de seu álbum lançado ano passado, Thinking Clear, produzido e mixado por ele. No disco os resultados ainda são um tanto desiguais, mas enquanto vai azeitando a fórmula, Stanford aparece com pepitas como essa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Melhores do Ano - Músicas (#06: Tiger & Woods)


Já se vão cinco anos desde o debut da dupla italiana Larry Tiger e David Woods (nomes fictícios para Marco Passarani e Valerio Del Prete), Through The Green. O misterioso projeto de "future boogie" fez um disco divertidíssimo, discotecou mundo afora (incluindo uma apresentação memorável no Brasil, na edição 2012 do Sonar em São Paulo) e, três ou quatro singles depois, retorna com mais uma batelada de grooves musculosos nas mãos, no lançamento de On The Green Again (T&W Records).

O título entrega uma óbvia continuação do disco de estreia: o som não perdeu um milímetro do foco e isso é ótimo. Samples obscuros colocados em loops infinitos, baixos corpulentos e uma linha que costura a dance do começo dos 80 (especialmente italo-disco e Hi-NRG) às técnicas de edição da house contemporânea.

Com um sample na mão e uma ideia na cabeça - como na minha preferida aqui, "Ginger & Fred" - Passarani e Del Prete continuam produzindo, discotecando e cumprindo brilhantemente a função de quem se propõe a fazer um som como o desses caras: dançar, sem olhar pro relógio.