segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Caras Novas: Tender


O Tender segue pavimentando solidamente seu caminho até o primeiro álbum. O misterioso duo londrino, formado em 2015 pelo vocalista e multi-instrumentista James Cullen e pelo tecladista Dan Cobb prepara-se para lançar o debut Modern Addiction dia 1º de Setembro, pela gravadora britânica Partisan Records. A expectativa gerada até agora pelos três EPs e mais algumas faixas disponibilizadas de forma independente pela dupla aponta para um trabalho quase totalmente inédito, levando-se em conta o tracklist do álbum, já liberado. O som do Tender é um cruzamento entre R&B contemporâneo e eletrônica visceral; soa orgânico, sem truques banais como o autotune e cozinha em fogo brando, com uso farto de sintetizadores de timbres vintage amadeirados - climas aquecidos por Cobb que fazem a cama perfeita para Cullen desfilar sua voz sexy e semi-sussurrada. Talvez Terence Trent D'Arby soasse assim na atualidade, se estivesse vivo musicalmente. A canção mais recente do Tender, "Machine", deixa isso muito claro e perceptível: beats programados e teclados precisos, numa faixa que cresce devagar e explode num refrão memorável e que funciona igualmente bem tanto na celebração da pista de dança quanto na solidão-conforto do sofá da sala. O vídeo, que sugere o vazio existencial e a futilidade dos prazeres transitórios da vida moderna que tomam conta de boa parte da geração atual, retrata bem a letra, cujo refrão sentencia: "You cut me open, and pull me apart / A hollow chest instead of a heart". Sério candidato a revelação do ano.

Ouça o Tender no Spotify.

"Machine": "You do what you want with me baby."

sábado, 19 de agosto de 2017

Editando Smiths


Um tempo atrás o peruano Luis Leon meteu a mão em "This Charming Man", clássico single-debut dos Smiths, de 1983, e saiu-se com um edit muito bem feitinho, com timbres de sintetizador cuidadosos e sem exageros estilísticos. 


Desta vez é o DJ e produtor americano Eric Estornel (a.k.a. Maceo Plex) que resolveu desafiar a ira dos fãs mais xiitas. Ele apareceu hoje com um edit de "How Soon Is Now?", emblemática canção da banda inglesa, lançada em 1984. Na nova versão, o tremolo original da guitarra de Johnny Marr - possivelmente, a referência mais identificável da música - foi mantido em toda a base por Maceo, assim como alguns trechos dos vocais de Morrissey. A isso, foram adicionados alguns efeitos e uma batida 4x4 bem simples. Não é um edit inesquecível, mas é uma boa atualizada numa faixa com mais de 30 anos. E se a ala fundamentalista dos fãs dos Smiths ficar putinha de raiva, melhor ainda.


Dá pra baixar 0800 com boa qualidade no perfil do Maceo no Soundcloud, liga lá.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: When In Rome


Imagino que o maior mérito do When In Rome foi um dia ter sido confundido com o Depeche Mode por conta de seu single "The Promise", de 1988. Mas, convenhamos, um ouvido minimamente treinado não cometeria tal heresia. Martin Gore, principal compositor do Depeche, não redigiria uma rima constrangedora como "If you need a friend / Don't look to a stranger / You know in the end / I'll always be there", nem nos tempos de ginásio. E os esforços dramáticos de Clive Farrington ao microfone nem de longe lembram a extensão vocal de barítono de Dave Gahan. Porque a confusão, então? Mania do ouvinte médio de colocar tudo que soa relativamente parecido no mesmo balaio de gatos. E olha, o When In Rome é fraquíssimo, pra ser generoso. Seu autointitulado debut (e até hoje, único álbum) é horroroso, um sub-Alphaville de composições com o dobro da cafonice da banda alemã e instrumental uns cinco anos defasado em relação ao reluzente technopop praticado pela concorrência do primeiro escalão na época (o próprio Depeche, Erasure e Pet Shop Boys). Salva-se a melodia ensolarada de "Heaven Knows" e "The Promise", que tem, vá lá, um baixo interessante.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Depeche Nobre


Não é nada fácil arriscar um cover de uma banda como o Depeche Mode. Há sempre boas chances da tentativa soar enfadonha ou oportunista, especialmente quando o alvo escolhido é um clássico do tamanho de "Enjoy The Silence", por exemplo. De qualquer maneira, há algumas boas variantes das canções da banda inglesa disponíveis: Johnny Cash ("Personal Jesus"), GusGus ("Monument") e Rammstein ("Stripped") são excelentes para mostrar que com versões radicalmente diferentes das matrizes e um toque claramente pessoal de cada um, o resultado causa a estranha sensação de que estas músicas sempre pertenceram aos artistas que as escolheram (o que é sempre bom sinal). A cantora, compositora e produtora americana Julia Holter não se intimidou e acaba de gravar sua interpretação para "Condemnation", cantada a plenos pulmões originalmente por Dave Gahan no álbum Songs Of Faith and Devotion, de 1993. São duas versões do hit escrito por Martin Gore, já disponíveis para streaming e que também serão lançadas em formato físico num single de sete polegadas de edição limitada, programado para 15 de Setembro, pela Domino Records. O single é um tributo ao músico e diretor americano Travis Peterson, que tinha o Depeche como uma de suas bandas preferidas e que faleceu em Dezembro do ano passado. Peterson, que dirigiu vídeos de Ariel Pink e Glass Candy, entre outros, era amigo pessoal de Julia Holter e dos outros três artistas que colaboram na gravação: Ramona Gonzalez, Cole M.G.N e Nedelle Torrisi. "Condemnation (Live)" é, como o nome indica, uma delicada e emotiva versão ao vivo, quase um acapella acompanhado somente por acordeão, enquanto "Condemnation (Synth)" traz arpejos de sintetizador emoldurando os vocais. São duas belas reconstruções, uma justa homenagem e que tem um destino nobre para a arrecadação alcançada com suas vendas: a renda será destinada para o Didi Hirsch Mental Health Services, uma organização sem fins lucrativos que presta serviços relativos a saúde mental e dependência química a comunidades carentes de Los Angeles.

"Condemnation (Live)": tributo.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Chicagoland


Quando a simplicidade da combinação de elementos que incluem um loop de teclado, um baixo minimalista e os vocais soul do cantor Shaun J. Wright, rende uma house que é Chicago em essência, enxuta e suingada. James Curd, em seu recém lançado single "Now I Believe", mostra - mais uma vez - talento e inventividade, montando uma dance track eficiente, viciante e excessivamente bonita. Tudo que as pistas precisam.


"Now I Believe": James Curd na melhor forma.