domingo, 28 de outubro de 2012

No Auge da Forma


Senhoras e senhores, acabou de sair um dos álbuns do ano.
Rupert Parkes - que assombrou o mundo do drum'n'bass com a frieza calculada de seus beats jazzísticos no incrível Modus Operandi (1998) - agora é um artista muito mais diverso. A transformação de sua música não deixou rastro qualquer do gênero que o consagrou, e foi resultar no seu mais recente álbum, KU:PALM - uma coleção irrepreensível de eletrônica corpulenta, mas não agressiva.

 
 Não há sequer uma faixa dispensável nesse trabalho. O clima tenso/robótico ronda as 12 faixas, e até quando o BPM sobe, ameaçando transformar-se em techno de pista (duas vezes: em "Oshun" e "One Of A Kind"), o Blade Runner sonoro de Photek não perde a intensidade. A produção é minuciosa e extraordinária, o som é forte e cristalino - mesmo com a espetacular profusão de batidas orgânicas em "Pyramid" (de inspiração oriental), dá pra definir cada kick de bumbo, cada ataque de prato, cada batida no aro e cada rufo de caixa. A trinca que abre o disco é de cair o queixo. A épica "Signals" é a "Papua New Guinea" (Future Sound Of London, 1991) de 2012, com seu bleep mântrico e subgraves de estourar os alto-falantes.

"Quadrant" substitui a caixa da bateria por palmas sintéticas, mas as pedaladas do bumbo garantem um ponto a mais para a variedade rítmica de KU:PALM. Em "Aviator", Photek cria um gancho absolutamente pegajoso e mutante de sintetizador, enquanto slaps de baixo e samples vocais fundem-se ao groove paquidérmico e à batida poderosa. "Shape Charge" é a prima dubstep de "Pyramid", com strings ameaçadores de teclado e clima opressivo. "Munich" surge no meio do álbum para o ouvinte respirar. É um tema plácido de piano conduzido por uma levada house downtempo. Photek desacelera ainda mais na base construída por um loop sintético em "Quevedo", mas retoma os quiques do bumbo no techno "Mistral". A melancólica "Sleepwalking" é a décima faixa, a primeira com letra. Com vocais da cantora búlgara Lina Larsson, é quase um blues eletrônico. "This Love" encerra o álbum de forma densa, com a voz rouca do cantor folk Ray LaMontagne acompanhada por sintetizadores pesados, batida estrondosa e oscilações de baixo típicas do dubstep.  
Photek conseguiu uma unidade difícil de alcançar em KU:PALM. O produtor britânico ganhou experiência necessária para garantir homogeneidade a um trabalho que não se prende a um rótulo, soa extremamente moderno e ainda assim não se rende às facilidades da dance music atual. Obrigatório.
 "Aviator": Photek no auge da forma.

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