segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Segunda Class: DJ Day


Day é o californiano Damien Beebe. DJ, produtor e multi-instrumentista, Beebe começou a discotecar em 1995, mas seu álbum de estreia só saiu agora, em 2013 (sem contar uma coletânea de singles, faixas inéditas e remixes lançado em 2008).

E que disco. Land of 1000 Chances pode ser colocado sem hesitação na mesma prateleira (ou na mesma pasta de arquivos) do que melhor DJ Shadow e RJD2 fizeram em suas carreiras. A síntese é a mesma: beats de hip-hop e andamentos de jazz sustentando enxertos de funk, soul e eletrônica. A diferença de DJ Day é que sua trip é de músico - ele se apoia fundamentalmente em instrumentos, não em samples. Ocasionalmente, amostras de diálogos e vocais são inseridos ("Mama Shelter"), mas são apenas coadjuvantes frente a quantidade de Mellotron, Clavinet, piano elétrico, baixo, guitarra e percussão usados nas faixas. Em "Boots in the Pool" e "Hopefully", belíssimos arranjos de cordas ornamentam músicas que transbordam bom gosto, calor e emotividade.

Land of 1000 Chances
tem 15 faixas instrumentais sem altos e baixos: o nível das composições é tão plano e homogêneo, que funciona incrivelmente bem se ouvido do início ao fim, sem interrupções. E pode ter certeza, você não vai querer pular nenhuma.

"Land of 1000 Chances": só uma das 15 pérolas do álbum.

domingo, 29 de setembro de 2013

Foxxtronics


Surpresa boa esse EP novo do John Foxx.

O ex-Ultravox uniu-se a Jim Jupp (Belbury Poly) e Jon Brooks (The Advisory Circle) para gravar o EP Empty Avenues, que saiu agora em Setembro pelo selo londrino Ghost Box.

Os sintetizadores barrocos de Foxx mais o folk/ambient de Jupp e Brooks deixaram canções como a faixa-título e principalmente "The Right Path" com uma cara de Emerson, Lake & Palmer circa 1972. Nenhuma objeção.

Preview de "The Right Path":

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: 20 Fingers


20 Fingers é uma dupla de produtores de Chicago, formada pelos picaretas Charlie Babie e Manfred Mohr. Encaixaram uma sequência de hits de pista no meio dos 90 que migrou com facilidade para rádio e TV, provavelmente por causa da temática explicitamente sexual das letras e pela dance contagiosa que praticavam. Enjoou com a mesma rapidez que pegou, mas foi divertido. "Short Dick Man", seu primeiro single (1994), provocou reações adversas por parte da carolagem (tanto que uma versão limada e sem sacanagem foi vendida como "Short Short Man"), mas ora bolas (ops!), a bagaceiríssima vocalista Sandra Gillette só estava dizendo que não se contentava com nada menos que uma anaconda padrão Kid Bengala, que que tem?

Outras faixas do mesmo naipe vieram: "Lick It" (com a vocalista Roula) e "Mr. Personality" - de novo com Gillette - foram as mais conhecidas.

"Mr. Personality" é uma tiração em cima das pessoas, hããã, desprovidas de beleza, mas metidas a besta. A versão original é uma fusão explosiva de guitarras e batidão numa onda 2 Live Crew:



Minha preferida do 20 Fingers é a versão Ugly Mix de "Mr. Personality". É uma música praticamente nova: na real, nem sei que elementos ela usa da matriz. Mas ficou muito melhor. Tem um trompetinho sintético do inferno durante os quatro minutos da faixa, e a percussão é espalhada com maestria pela dupla. Essa batucada casou tão bem com os graves do baixo e as socadas do bumbo, que tornaram esse Ugly Mix compulsivamente dançante. House music simples e muito eficiente. E desbocada. 

"Mr. Personality (Ugly Mix)": "you wanna touch me, but you're so ugly..."

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

New New Wave


 Mas olha que simpatia esse single da dupla texana Night Drive.

Drones é o debut de Rodney Connell e Brandon Duhon, um synthpop uptempo pegajoso em sua forma original e enérgico o bastante pra afastar o cheiro de coisa requentada. O single traz ainda três remixes: a boa versão house de Bit Funk, pegadinha nu-disco por Glasnost e o drop the bass totalmente dispensável do Crystal Vision. Vale o confere: download grátis na página da banda no Soundcloud.

"Drones": vai pro "Melhores do Ano", fácil.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quarta Do Sofá: Bliss


Do tempo em que não era politicamente incorreto veicular propaganda de cigarro na TV, os ingleses da Bliss estouraram no Brasil com sua faixa "I Hear You Call" no comercial do Hollywood. O single "How Does It Feel The Morning After" veio na colada - outra baladona sintetizando pop e soul de olhos azuis - e grudou nas FMs naquela virada 1989/1990. Rachel Morrison canta demais. O baixista Paul Ralphes veio pro Brasil e não voltou: tornou-se produtor requisitado por bandas pop locais, como Biquíni Cavadão e Kid Abelha. Já a Bliss acabou em 1991, pra retornar em 2007 e ainda manter-se na ativa.

"How Does It Feel The Morning After": baita linha de baixo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Réquiem


Era um beco sem saída. Moby chegou ao topo com Play, seu multiplatinado álbum de 1999. Sintomaticamente, também, esgotava-se ali a fórmula: beats quebradiços recheados com loops de blues de meio século atrás e teclados sinfônicos a um passo da grandiloquência. Era o downtempo para as massas vendendo 12 milhões de cópias, estrelando campanhas publicitárias milionárias e elevando Moby à categoria de Pelé da eletrônica.


Dali pra frente, Moby manteve o foco num certo tipo de ambient music high tech, explorando com poucas variações a receita que deu certo em Play e abdicando do que foi o seu habitat natural no começo da carreira: as pistas de dança. Fora um ou outro single ("Lift Me Up", "Disco Lies"), os discos de Richard Melville Hall começaram a ficar cada vez mais modorrentos, arrastados, preguiçosos. E chatos.

Ouvindo Innocents - que sai oficialmente dia 01 de Outubro - deu pra sacar que Moby não intenciona mudanças significativas, mas os dezoito meses produzindo esse disco mostraram que o tempo foi muito bem gasto. Dá pra afirmar sem medo de errar que é seu melhor álbum desde 18, de 2002. Tem algumas colaborações vocais de respeito (Wayne Coyne do Flaming Lips e Mark Lanegan, ex-Screaming Trees, entre eles), e olha, é um mergulho em águas turvas. Ainda rolam aqueles samples obscuros ("The Last Day", "A Long Time"), chama atenção tecnicamente pelas camadas de vocais sobrepostas com perfeição (a produção é do craque Mark Spike Stent) e tem canções realmente lindas ("The Lonely Night" com Mark Lanegan e "The Last Day" com a desconhecida Skylar Grey são duas das melhores aqui), mas nada tem qualquer proximidade com as luzes frenéticas de uma discoteca, portanto não espere que Innocents migre dos fones de ouvido para alto-falantes de 18 polegadas. É um disco que pega no tranco: ouvi com desconfiança pela primeira vez, simpatizei com alguma coisa na segunda e comecei a descobrir as qualidades na terceira.

Ainda não é aquele Moby. Mas é o melhor Moby dos últimos dez anos.

"The Last Day": técnica de sampleamento em boa forma. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Segunda Class: Nightmares On Wax


O trip hop vinha ensaiando timidamente uma tentativa de retorno ao pico de popularidade que atingiu no meio dos 90. O problema é que a falta de bons álbuns não deixou que artistas menores recolocassem o gênero numa segunda onda convincente e as bandas do primeiro escalão lançam discos com uma peridiocidade de fazer inveja ao finado Dorival Caymmi: o último do Massive Attack é de 2010 (sete anos depois do álbum anterior), Geoff Barrow do Portishead disse ano passado que um disco novo do grupo pode sair daqui dez anos, DJ Shadow anda devendo e Tricky voltou esse ano com um álbum apenas razoável.

 O britânico George Evelyn - ou DJ EASE, ou ainda seu alias mais famoso, o Nightmares On Wax - não dispunha de material original desde 2008. Volta agora em 2013 com um disco que compensa, e muito, os cinco anos de espera.

Feelin' Good acabou de sair pela Warp Records, seu lar desde o começo dos 90 e de álbuns essenciais do período, como Smokers Delight (1995) e Carboot Soul (1999).
O que Evelyn consegue nas dez faixas do álbum é amarrar o conceito do trip hop com todas as suas bases bem distribuídas: são canções muito diferentes umas das outras, mas que fazem todo sentido agrupadas em forma de disco. Feelin' Good tem soul clássico (a linda "Give Thx" soa 1966), funk ("Tapestry"), reggae ("Now Is The Time"), hip-hop, eletrônica e experimentalismos enfumaçados ("There 4u"). Ocasionais detalhes afro ("Be, I Do"), arranjos geniais (note o trompete jazzy e a base camerística de "So Here We Are") e a desolação convertida em beleza na acústica "Master Plan" (com os vocais pequenininhos da cantora folk Katy Gray), fazem do álbum um dos mais consistentes lançados com o carimbo trip hop nos últimos tempos, e se coloca confortavelmente ao lado do que melhor George Evelyn já fez. Não é pouca coisa.

Feelin' Good condensado em três minutos e meio:

domingo, 22 de setembro de 2013

If We Took A Holiday


Verão no Hemisfério Sul chegando, candidatas a hit aparecendo.


"On Holiday" é o novo single do trio de Chicago Hey Champ (disponível pra download na página da banda no Soundcloud). Synthpop com alto grau de dançabilidade, tempero tropical e vocais sussurrados pela gracinha Leslie Beukelman. Boto fé.

"On Holiday": It would be, it would be so nice...

sábado, 21 de setembro de 2013

Caras Novas: Kaytranada


Kaytranada é o novo pseudônimo de Kaytradamus. Nomes desconhecidos pra você? Sem problemas, o canadense é novíssimo na cena. Ele monta beats envenenados a partir do hip-hop e funde magistralmente com disco, house e soul. 


"At All" é seu novo single. Desconheço a fonte do sample vocal, mas seja o que for, Kaytradamus subverteu a ponto de criar uma nova maneira de cantar.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: Gottsha


Se a sexta é bagaceira, esqueçamos os pudores. Sandra Maria Braga Gottlieb - Gottsha - carioca, cantora e atriz. Seu debut é No One To Answer, de 1995: dance Jovem Pan fartamente inspirada na eurohouse vigente. O álbum - todo em inglês - rendeu alguns singles de relativo sucesso: além da faixa título, "Break Out" e "Do You Wanna Love Me?", esta com com uma chupada na cara dura da batida de "The Sign" (um reggaezinho sintético e popíssimo dos suecos do Ace Of Base, produzido pelo genial e saudoso Denniz Pop), uma letra de duas estrofes e um refrão repetido ad nauseum. O que é inegável é que - apesar das composições fracas - Gottsha canta muito. Sua voz foi subaproveitada, é verdade. Mas que era uma delícia virar "Do You Wanna Love Me?" com "The Sign", era.

"Do You Wanna Love Me?": not now, baby.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Parada No Ártico

Pausa nos beats digitais para uma breve divagação sobre AM, o novo disco do Arctic Monkeys:

Processos de adultização musical podem gerar bunda-molismos irrecuperáveis. No caso do Arctic Monkeys, foi tudo OK. Eles estão muito melhor agora com seus terninhos retrô do que com as jaquetinhas coloridas de um tempo atrás. E nem tô falando da mudança estética. 

AM é rock de cara limpa e mente aberta, que visita o country/blues do Stones setenta ("Mad Sounds"), ao mesmo tempo que não despreza as levadas dançáveis temperadas com baixos pulsantes totalmente 2000 ("Fireside", "Snap Out Of It"). E tome peso, barulho, sutileza, ótimos refrões, cusparada de riffs e uma acessibilidade pop que pode prolongar bastante a vida desse disco.

Maior banda inglesa da atualidade? Sei lá. Sei que AM é "o" disco de rock de 2013 e ninguém tasca. Acho eu.  

"R U Mine?": o primeiro single já dava a pista, vinha um discão aí.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Em Círculos


O The Field já teve - pra mim, bem claro - momentos de magia concentrada e hipnose pura. A saber, em dois de seus quatro álbuns: From Here We Go Sublime (o debut, de 2007) e a consolidação com o terceiro disco Looping State of Mind, de 2011. Mas acho que agora deu. Disposto a levar minimalismo, drone, compressão, samples e loops às últimas consequências, o sueco Axel Willner fez do seu novo disco Cupid's Head, uma ode à chatice. E haja boa vontade pra atravessar seis looooongas faixas em que o techno do The Field anda cambaleante e em círculos o tempo todo. É de ficar tonto.


Estranhamente, são faixas de bumbo inalteradamente reto (com exceção ao exercício vocal fim da linha de "No. No..."), mas o impacto que elas causam é algo que não supera a vontade de levantar do sofá. Stephen Hawking definiria como "o triunfo da inércia sobre a cinemática".

Tô realmente curioso pra ler uma resenha de alguém que manje do riscado - porque minha opinião é superficial e talvez imediatista - e que se disponha a defender Cupid's Head com argumentos convincentes. Eu não consegui ouvir inteiro duas vezes.

Como não deu pra embedar, dá pra ouvir a faixa título e também primeiro single "Cupid's Head", lá na página da Kompakt no Soundcloud.

Update: a Kompakt liberou o áudio de "Cupid's Head" no Youtube:

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Segunda Class: Jah Wobble & Marconi Union

 
Anomic é o álbum resultante da parceria entre John Joseph Wardle (Jah Wobble) e o grupo Marconi Union.


Wobble - um dos maiores baixistas vivos - deveria ser investigado pelo Departamento de Defesa norte-americano, porque as linhas de baixo em Anomic não são deste planeta. Com a criatividade e o peso absurdo de suas quatro cordas, o dubismo de Wobble faz a cama perfeita para as ambiências techno do grupo inglês, e o que temos são sete faixas lutando desesperadamente para desvencilhar-se da atmosfera terrestre. Ou seja, aperte o cinto.

"Wealth": fones no ouvido e luz apagada, por favor.

domingo, 15 de setembro de 2013

Summer Funk


Vale a pena conhecer o som da dupla Paradizzle. Gaúcho de Porto Alegre, o projeto formado pelo DJ Feijão e pelo músico e produtor Di-Gestivo, acaba de soltar o primeiro single.

"Out Run" é um funk sintético "com um clima de praia e verão", conforme anuncia o duo em sua página no Soundcloud. Instrumental e preguiçoso (no bom sentido), tem um groove suculento e que pode dividir a mixagem tanto com artistas como Chromeo quanto Mantronix, sem sentimento de inferioridade. Estreia com o pé direito.

"Out Run": prontinha pra roda de break.

sábado, 14 de setembro de 2013

House Requintada


 Mass Digital é o projeto do jovem produtor e DJ sérvio Boris Mijolic.

 Mijolic tem um refinamento invejável no que tange à produção de suas faixas, da escolha dos timbres à riqueza percussiva que preenche sua música. In Your Arms é seu EP mais recente e traz três faixas de techno houseificado, com BPMs respeitando os limites de velocidade, basslines encorpados, recortes de vocais soulful ("Need U Now") e clima baleárico (a relaxante "You Bring Me Down Baby"). Promissor.

"In Your Arms":

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sexta Feira Bagaceira: The Romantics


Certeza que ninguém mais lembra do Romantics. Mais incrível do que descobrir que eles ainda estão na ativa, é dar uma checada na discografia dessa banda de Detroit e atestar que eles nunca foram lá muito populares. Em 1983, o grupo sentiu o gostinho do sucesso (por duas semanas, é verdade) com seu single Talking in Your Sleep, terceiro lugar no Hot 100 da Billboard, primeiro na parada Hot Dance Club Play. Pegadinha new wave marcada pela genial trama de riffs da dobradinha baixo/guitarra, "Talking in Your Sleep" foi muito popular aqui no Brasil também, devido à superexposição que sua presença na trilha de Transas e Caretas causou durante os 167 capítulos da novela de 1984.

Nem é de se estranhar que "Talking in Your Sleep" não tenha sofrido muito com a ação do tempo. Depois de tantas reciclagens e revivals, ela está tão fresquinha quanto há 30 anos.

"Talking in Your Sleep": à centímetros da perfeição pop.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Never Let Me Down Again

CHVRCHΞS e Holy Ghost!: discos recém-lançados, e ambos deixaram a desejar .


Os escoceses do CHVRCHΞS lançaram quatro singles que deixaram esperançosos fãs ardorosos de technopop como eu - especialmente por Recover EP, que contém a magnífica "Now Is Not The Time" (que curiosamente não está no debut do grupo). Seu aguardado álbum The Bones Of What You Believe sai oficialmente dia 23 de Setembro. Azar o meu: ouvi e não rolou. Nem a linda vocalista Lauren Mayberry salva um disco que nos melhores momentos ("Recover") não vai muito além do pop eletrônico/bobinho perpetrado no século passado por gente como Thompson Twins - o que até nem seria demérito, se nos piores ("By The Throat"), eles não parecessem uma Debbie Gibson num dia ruim. Eu nem ligo se o synthpop vem andando em círculos ultimamente, se fórmulas são repetidas e essa conversa toda - desde que a música oferecida passe por cima desses clichês. E o problema é que bandas iguais o Chvrches eu já ouvi mais de cem esse ano.

"Recover": a segunda melhor faixa do Chvrches. A melhor não está no álbum.




Já o problema dos nova-iorquinos do Holy Ghost! está na irregularidade. A dupla lançou seu segundo disco (Dynamics) no último dia 10, e ele tem as bordas interessantes, mas o recheio é insosso. A abertura "Okay" é realmente empolgante. É uma das melhores definições para "pop de sintetizador" que ouvi esse ano. Mas daí pra frente, o nível cai absurdamente, auto explicado pelo título da segunda faixa ("Dumb Disco Ideas"), e por um ranço indie que persegue o som do duo. Só lá na oitava faixa (o bom refrão e os arpejos de "Bridge and Tunnel") o Holy Ghost! começa a subir devagarinho, até reviver o New Order pré-1983 em "Don't Look Down" e "Cheap Shots" (com uma guitarrinha totalmente Barney Sumner e tudo) e finalmente emplacar uma fofa baladinha de plástico (a quase-vinheta "In The Red"). Mas aí já é tarde, porque o disco acaba com 11 faixas. Faltou esmero (ou inspiração) pra nivelar um pouco mais alto esse Dynamics.

"Okay": a melhor, já de cara.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quarta Do Sofá: Marvin Gaye


Uma lista que compile as dez melhores trilhas pro ritual de acasalamento tem que incluir o single "Sexual Healing", de Marvin Gaye. Lançada em setembro de 1982, a canção é um mix de soul, R&B e funk, com uma memorável programação de bateria eletrônica (Roland TR-808) e uma guitarra serpenteando riffs que servem de base pra Marvin dizer que, baby, é só o sexo que pode curar.

A influência de "Sexual Healing" pode ser parcialmente medida pelo número de covers que o original produziu, fora samples, remixes, filmes e seriados em que a faixa apareceu. Essencial.

"Sexual Healing": Baby I'm hot just like an oven.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Free Your MP3


Você que não pagou o mico de correr pra um dos seis lugares deste pequeno planeta pra ser "a primeira pessoa a ouvir o single novo do Cut Copy", conforme a banda prometia no release de "Free Your Mind", agora já pode fazê-lo no Soundcloud e no Youtube.

Vocais indie/largados, piano house, gospelzinho acontecendo lá no segundo plano.
Honestamente, não é nem sombra do que foi o Cut Copy de "Hearts On Fire" e "Future".


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Segunda Class: King Tubby


Segunda complicada? Ressaquinha? Dub é um santo remédio.  


King Tubby foi um gênio. Possuía uma oficina de reparos de rádios e TVs em Kingston, começou a trabalhar com amplificadores, até construir modelos modelos mais resistentes e potentes dos usados habitualmente na Jamaica e montar seu próprio sound system - o King Tubby's Hometown Hi-Fi - que rapidamente tornou-se o mais popular da Ilha no final dos anos 50. Com seu conhecimento de eletrônica, trabalhou numa das primeiras gravadoras independentes local, a Treasure Isle Studios. No estúdio, Tubby empenhou-se na produção de lados B de singles de artistas jamaicanos (que continham a versão instrumental da faixa principal), e descobriu que era possível não só remover os vocais, mas também acrescentar efeitos como eco, reverb, distorções, além de acentuar baixo e bateria, até tornar a música quase irreconhecível. Nascia o dub, e por extensão, o remix.

Tubby foi baleado e morto em frente à sua casa, em 1989.

Hometown Hi-Fi Dubplate Specials 1975-1979 sai agora em 2013, e compila parte dos dubs tocados com exclusividade pelo sound system de King Tubby. São 18 faixas carregadas de efeitos e apenas ecoando referências e amostras do que eram os vocais originais, pra perda dos sentidos ser apenas parcial.

Essencial.

Dá pra ouvir trechos da coletânea no Soundcloud:

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Free Your Money


Tá afim de ouvir "Free Your Mind", a música nova do Cut Copy? Barbada. É só dispor de alguns trocados e seguir as instruções que recebi hoje por um e-mail promocional da banda. Simples, ó:

We put out a new track today. We'd like you to
have a listen.  

How to listen to "Free Your Mind"

1. Journey to one of the following locations :
(denoted by the green arrow on the map) 

Mexico City: 19.418546,-99.15799 
Detroit:  42.331225,-83.066366  
California Desert: 33.921089, -116.761205  

2. Open cutcopy.net
Make sure your Location Services and audio are on.
(how to do this on an iPhone or Android

3. Free Your Mind

Boa sorte.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

12 do 7


Depois de quatro anos sem gravar, o Zero 7 reaparece com um doze polegadas novinho: On My Own saiu no finalzinho de Agosto. 


Henry Binns e Sam Hardaker deixam um pouco de lado o trip-hop/downtempo - por vezes apático - que caracteriza o som da dupla, pra cometer duas das canções pop mais legais que ouvi nesse 2013 cheio de música boa.

Não arriscaria chamar "On My Own" de nu-disco, mesmo com esse groove sedutor e um baixo com o tecido adiposo deveras desenvolvido. "Don't Call It Love" traz outra trilha incrível percorrida habilmente pelas quatro cordas, mas aqui a coisa está mais pra um Fleetwood Mac com adereços eletrônicos. Nem sei qual é a melhor das duas faixas, ambas são encantadoras. Na dúvida, ouça as duas:

"On My Own":


"Don't Call It Love":

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Señor DJ


Austríaco radicado na Califórnia, o quase veterano DJ e produtor John Tejada - perto de 20 anos nas cabines - acaba de soltar single novo pela Kompakt. 


O 12" tem o techno tradicional "Anaphora" no lado A, para Tejada exibir uma paleta de timbres diversa o suficiente pra não deixar o 4X4 cair na monotonia. O B-side "Bode's Law" investe no bassline pesado, enquanto o TB-303 oscila sob o prato sibilante do tech house.

"Anaphora": lenha de qualidade pra queimar, Señor Tejada.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Electro Hipnótico


Ghost Carnival, segundo álbum da preguiçosa carreira do trio francês Hypnolove (o primeiro, Eurolove, é de 2006) traz uma bem resolvida fusão de funk, indie e disco com eletrônica, e o diferencial dos vocais especialmente bem executados - coisa cada vez mais inusual no pop recente.


Ao contrário do que alguns títulos sugerem, nem sempre é verão no álbum. As flutuantes "Holiday Reverie" (guitarrinhas e cowbell indie, ondas quebrando ao fundo) e "Winter in the Sun", convivem com ótimas faixas de melancolia fim de festa, como a disco "Beyond Paradise" e "Ghost Carnival".

A grande canção do disco é sem dúvida "Midnight Cruising", um dos momentos mais límpidos e singelos do pop sintético 2013. Ghost Carnival merece ser ouvido na íntegra, são apenas nove faixas com poucas semelhanças entre si mas com algumas qualidades compartilhadas: são músicas totalmente despretensiosas, mas muito bem acabadas, com a clara de intenção de durar bem mais do que uma estação.

"Midnight Cruising": synthpop cristalino.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Segunda Class: Zero Cult


Zero Cult é o israelense Emil Ilyayev. Prolífico, já registrou sete álbuns desde o início de sua carreira, em 2006 (suas primeiras demos são de 2004). Pop Insanity é o mais recente, lançado no final de Agosto.


O álbum é um surpreendente liquidificador chill out que joga diversos ingredientes em suas onze faixas; da eletrônica épica herdada do Future Sound Of London ("Timesand") até um trance tardio e nem tão inspirado assim ("Poison"). Concentre-se no downtempo, que é onde Ilyayev se dá melhor. Ele dosa a mistura entre beats sintéticos, sintetizadores e instrumentos convencionais com equilíbrio - estes aparecem sempre como um detalhe que faz toda diferença no resultado final: ouça a guitarra desolada da intrigante "Jelakera", o oboé encantador de "Behind The Walls" e até os saxofones de gosto duvidoso em "Distance". Ilyayev ainda tira vários timbres lindos da cartola, como os teclados que duelam com o vocoder em "Robosong" ou com as várias amostras presentes em "Face In The Mirror". De lambuja, a melhor faixa de Pop Insanity, "Stars", traz os vocais macios de Kerensa Stephens entre trompetes sedativos e uma parede de sintetizadores que causam um certo entorpecimento à base das paisagens sonoras construídas por um artista de ambient que não dá sono. Coisa rara.

"Stars": já pro sofá.  

domingo, 1 de setembro de 2013

Electronic Digitalism Music


EP novo dos alemães do Digitalism, Lift traz colaborações com o grupo californiano The M Machine e o produtor Steve Duda. 

A faixa título (com M Machine) tem um jeitão dessa EDM genérica feita pros festivais de verão e pra danceterias com capacidade acima de cinco mil pessoas, onde ser clicado na área VIP é mais importante do que estar na pista. Bombada, breaks estratégicos... sei não. Me pareceu calculada pra ser bem sucedida comercialmente. "Dudalism" (com, dããã, Steve Duda) e "Electric Fist" recolocam o Digitalism nos trilhos. A primeira é aquele techno onde várias TB-303 parecem entrelaçar-se com uma mini sinfonia sintética, características comuns ao som da dupla (lembrei da já clássica "Zdarlight", de 2005). "Electric Fist" é uma maravilha da manipulação sonora. Sintetizadores que derretem e voltam à forma original e uma taxa de compressão que faz os graves coicearem forte no peito.

"Electric Fist": saudades do maximal?   

Pump Up The Bass


DJ Marky e The Invaderz já haviam se cruzado quando o trio de produtores ingleses remixou a faixa "The Wizard" (de Marky e XRS), em 2006.

A parceria agora vem em forma de duas faixas que saem em single pelo selo britânico Commercial Suicide.

"After Midnight" traz um baixo de causar tontura e timbres de teclado serenos no segundo plano. Já "Break The Spell" tem enxertos de jazz (vocais, guitarra, flauta), oscilação nas baixas frequências e som de caixa ressonante:



Faz tempo que Marky vem abastecendo cases e pistas com drum'n'bass inventivo e sacolejante. Esse lançamento mantém o nível lá em cima.