segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Caras Novas: Tender


O Tender segue pavimentando solidamente seu caminho até o primeiro álbum. O misterioso duo londrino, formado em 2015 pelo vocalista e multi-instrumentista James Cullen e pelo tecladista Dan Cobb prepara-se para lançar o debut Modern Addiction dia 1º de Setembro, pela gravadora britânica Partisan Records. A expectativa gerada até agora pelos três EPs e mais algumas faixas disponibilizadas de forma independente pela dupla aponta para um trabalho quase totalmente inédito, levando-se em conta o tracklist do álbum, já liberado. O som do Tender é um cruzamento entre R&B contemporâneo e eletrônica visceral; soa orgânico, sem truques banais como o autotune e cozinha em fogo brando, com uso farto de sintetizadores de timbres vintage amadeirados - climas aquecidos por Cobb que fazem a cama perfeita para Cullen desfilar sua voz sexy e semi-sussurrada. Talvez Terence Trent D'Arby soasse assim na atualidade, se estivesse vivo musicalmente. A canção mais recente do Tender, "Machine", deixa isso muito claro e perceptível: beats programados e teclados precisos, numa faixa que cresce devagar e explode num refrão memorável e que funciona igualmente bem tanto na celebração da pista de dança quanto na solidão-conforto do sofá da sala. O vídeo, que sugere o vazio existencial e a futilidade dos prazeres transitórios da vida moderna que tomam conta de boa parte da geração atual, retrata bem a letra, cujo refrão sentencia: "You cut me open, and pull me apart / A hollow chest instead of a heart". Sério candidato a revelação do ano.

Ouça o Tender no Spotify.

"Machine": "You do what you want with me baby."

sábado, 19 de agosto de 2017

Editando Smiths


Um tempo atrás o peruano Luis Leon meteu a mão em "This Charming Man", clássico single-debut dos Smiths, de 1983, e saiu-se com um edit muito bem feitinho, com timbres de sintetizador cuidadosos e sem exageros estilísticos. 


Desta vez é o DJ e produtor americano Eric Estornel (a.k.a. Maceo Plex) que resolveu desafiar a ira dos fãs mais xiitas. Ele apareceu hoje com um edit de "How Soon Is Now?", emblemática canção da banda inglesa, lançada em 1984. Na nova versão, o tremolo original da guitarra de Johnny Marr - possivelmente, a referência mais identificável da música - foi mantido em toda a base por Maceo, assim como alguns trechos dos vocais de Morrissey. A isso, foram adicionados alguns efeitos e uma batida 4x4 bem simples. Não é um edit inesquecível, mas é uma boa atualizada numa faixa com mais de 30 anos. E se a ala fundamentalista dos fãs dos Smiths ficar putinha de raiva, melhor ainda.


Dá pra baixar 0800 com boa qualidade no perfil do Maceo no Soundcloud, liga lá.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: When In Rome


Imagino que o maior mérito do When In Rome foi um dia ter sido confundido com o Depeche Mode por conta de seu single "The Promise", de 1988. Mas, convenhamos, um ouvido minimamente treinado não cometeria tal heresia. Martin Gore, principal compositor do Depeche, não redigiria uma rima constrangedora como "If you need a friend / Don't look to a stranger / You know in the end / I'll always be there", nem nos tempos de ginásio. E os esforços dramáticos de Clive Farrington ao microfone nem de longe lembram a extensão vocal de barítono de Dave Gahan. Porque a confusão, então? Mania do ouvinte médio de colocar tudo que soa relativamente parecido no mesmo balaio de gatos. E olha, o When In Rome é fraquíssimo, pra ser generoso. Seu autointitulado debut (e até hoje, único álbum) é horroroso, um sub-Alphaville de composições com o dobro da cafonice da banda alemã e instrumental uns cinco anos defasado em relação ao reluzente technopop praticado pela concorrência do primeiro escalão na época (o próprio Depeche, Erasure e Pet Shop Boys). Salva-se a melodia ensolarada de "Heaven Knows" e "The Promise", que tem, vá lá, um baixo interessante.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Depeche Nobre


Não é nada fácil arriscar um cover de uma banda como o Depeche Mode. Há sempre boas chances da tentativa soar enfadonha ou oportunista, especialmente quando o alvo escolhido é um clássico do tamanho de "Enjoy The Silence", por exemplo. De qualquer maneira, há algumas boas variantes das canções da banda inglesa disponíveis: Johnny Cash ("Personal Jesus"), GusGus ("Monument") e Rammstein ("Stripped") são excelentes para mostrar que com versões radicalmente diferentes das matrizes e um toque claramente pessoal de cada um, o resultado causa a estranha sensação de que estas músicas sempre pertenceram aos artistas que as escolheram (o que é sempre bom sinal). A cantora, compositora e produtora americana Julia Holter não se intimidou e acaba de gravar sua interpretação para "Condemnation", cantada a plenos pulmões originalmente por Dave Gahan no álbum Songs Of Faith and Devotion, de 1993. São duas versões do hit escrito por Martin Gore, já disponíveis para streaming e que também serão lançadas em formato físico num single de sete polegadas de edição limitada, programado para 15 de Setembro, pela Domino Records. O single é um tributo ao músico e diretor americano Travis Peterson, que tinha o Depeche como uma de suas bandas preferidas e que faleceu em Dezembro do ano passado. Peterson, que dirigiu vídeos de Ariel Pink e Glass Candy, entre outros, era amigo pessoal de Julia Holter e dos outros três artistas que colaboram na gravação: Ramona Gonzalez, Cole M.G.N e Nedelle Torrisi. "Condemnation (Live)" é, como o nome indica, uma delicada e emotiva versão ao vivo, quase um acapella acompanhado somente por acordeão, enquanto "Condemnation (Synth)" traz arpejos de sintetizador emoldurando os vocais. São duas belas reconstruções, uma justa homenagem e que tem um destino nobre para a arrecadação alcançada com suas vendas: a renda será destinada para o Didi Hirsch Mental Health Services, uma organização sem fins lucrativos que presta serviços relativos a saúde mental e dependência química a comunidades carentes de Los Angeles.

"Condemnation (Live)": tributo.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Chicagoland


Quando a simplicidade da combinação de elementos que incluem um loop de teclado, um baixo minimalista e os vocais soul do cantor Shaun J. Wright, rende uma house que é Chicago em essência, enxuta e suingada. James Curd, em seu recém lançado single "Now I Believe", mostra - mais uma vez - talento e inventividade, montando uma dance track eficiente, viciante e excessivamente bonita. Tudo que as pistas precisam.


"Now I Believe": James Curd na melhor forma.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Groove Armado


"Keep Rock In" - novo single do Groove Armada - não tem muito jeito de que vai ultrapassar as janelas das danceterias (como "My Friend" ou "I See You Baby"), mas tem um sample de chamada pra pista certeiro (parece empréstimo de alguma faixa de hip-hop) e um baixo monocórdico cavalar pronto pra transformar essa house num hitaço de pista. Aliás, é isso que promete o novíssimo selo Weapons, que lançou o single: "Voltando aos dias em que as melhores dance tracks foram feitas para o clube, não o rádio, a Weapons promete fornecer faixas de pista de dança pura, para DJs e clubbers". Assim espero.

"Keep Rock In": cheiro de hit de pista.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Cortante Como O Vidro


Alice Glass (ex-Crystal Castles) ressurge agridoce com o single "Without Love", lançado semana passada. Produzida por Jupiter Keyes (da banda americana de rock alternativo Health, que já trabalhou com o Crystal Castles), a faixa explora os agudos afiados de Glass envoltos por synths ora delicados ora intimidadores. "Without Love" é de uma beleza bizarra e hipnótica (como a própria Alice), congelada pela lente da diretora ítalo-canadense Floria Sigismondi, no belo vídeo abaixo. Direto pra lista de Melhores do Ano.
"Without Love": pra deixar Ethan Kath choramingando baixinho.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: MC Hammer


Curioso como o tempo passa e o approach muda em relação ao trabalho de um artista. A acusação que pesava sobre Stanley Kirk Burrell (a.k.a. MC Hammer) em seu hit "U Can't Touch This", de 1990, era de que o sample usado em toda base era muito óbvio, uma mera chupação que não envolvia talento, pesquisa ou criatividade. Penso nisso toda vez que ouço "Harder Better Faster Stronger", do Daft Punk, montada com um sample indecente de Edwin Birdsong e sua "Cola Bottle Baby", de 1979. O veredicto para a dupla francesa foi um só: "gênios!"

De fato, à época de "U Can't Touch This", as leis sobre direito autoral ainda não estavam bem claras (honestamente, nem sei se hoje estão), mas Hammer decidiu usar "Super Freak", de Rick James (1981), pra tagarelar seu rap chinfrim e nada modesto ("Oh meu Deus, obrigado por me abençoar com uma mente para rimar e dois pés tão rápidos / Sou conhecido como um cara muito legal de Oaktown / Você não pode fazer igual / Eu te disse cara / Você não pode ser tão bom quanto eu"). E dá-lhe repetir "you can't touch this" 23 vezes canção afora. James não quis nem saber: enquanto o single de Hammer voava alto nos paradões de todo o mundo, processou o rapper por violação de direito autoral. Hammer então apressou-se em ceder a co-autoria da faixa à James e molhou a mão do cantor (falecido em 2004).

O álbum Please Hammer, Don't Hurt 'Em foi lançado logo em seguida e já tinha Hammer na zona de conforto. Vendeu algo em torno de 18 milhões de cópias, o que deve ter garantido a aposentadoria do MC. Para o bem ou para o mal, "U Can't Touch This" é um clássico.

"U Can't Touch This": "... Stop! Hammer time!"

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Techno Comportado


Prolífico e inquieto, o produtor londrino Kieran Hebden (a.k.a. Four Tet) fez sua discografia virar uma deliciosa confusão. Em 2017 já rolou o álbum There Is Love In You (originalmente lançado em 2010) e simultaneamente, sua versão de remixes, retrabalhada por artistas como Jon Hopkins, Floating Points e Joy Orbison. Teve também o EP Ringer (em Janeiro) e duas faixas que saíram recentemente, "Two Thousand And Seventeen" (em Julho) e "Planet" (Agosto).

"Two Thousand And Seventeen" é uma canção ambient relaxante que parece ter sido gravada no alto do Monte Fuji, no Japão. Com batida de hip-hop em slow motion, teclados atmosféricos e um instrumento de cordas que lembra o tradicional shamizen japonês, é perfeita para aquele momento do dia em que se pensa em coisas como a política nacional e o preço do quilo da costela de primeira.



Já "Planet" é um techno comportado, com uma base de pouca variação melódica. Não acho lá muito excitante pra pista de dança, a despeito dos gemidos bem sexy dos samples vocais. O electro-shamizen aparece de novo e acaba deixando a faixa mais para se apreciar do que se movimentar. De qualquer forma, mantém o nível das produções de Four Tet bem acima da Troposfera. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Sandra


Olha, em 1985 eu tinha 10 anos. Não escutava Kraftwerk e George Clinton. Eu curtia o que o rádio oferecia. O que tava na trilha da novela. O que aparecia no Cassino do Chacrinha. Isso incluía a alemã Sandra Ann Lauer, tenros 22 aninhos na época do lançamento de "(I'll Never Be) Maria Magdalena". Foi o terceiro single da carreira da moça, mas o primeiro hit de fato. Hitaço, aliás. Li em algum lugar que passou de cinco milhões de cópias vendidas. Aqui no Brasil, foi trilha do remake da novela Selva de Pedra, em 1986 - o que causou o airplay exaustivo por um bom tempo.

Produzida pelo romeno Michael Cretu (que casou-se com Sandra três anos depois e emplacou o Enigma no começo dos 90), "Maria Magdalena" é um synthpop épico. Riff poderoso de orquestra sintetizada, refrão memorável, beat lento mas altamente dançável.

Fora o que ela era bonita.

"(I'll Never Be) Maria Magdalena": nunca será!

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Lazy House


Não achei lá muito empolgante essa colaboração entre o leviatã da house music, Todd Terry e Doug Lazy, herói do hip-house da virada 80/90. "We Love That Acid" saiu no meio do mês passado e não é a primeira vez que eles trabalham em conjunto, em 2009 a dupla lançou "Rock That Groove" pelo selo de Terry, Inhouse Records. A faixa de 2009, aliás, é um pouco melhor que essa recém lançada: apesar de ambas terem um poder de fogo (brando) parecido, em "Rock That Groove" o vocal de Lazy é reconhecível à distância, enquanto que em "We Love That Acid", em que Doug Lazy cita alguns de seus hits (as excelentes "Let It Roll" e "Let The Rhythm Pump"), sua voz está soterrada sob um vocoder safado de ruim. Ouça as duas aí abaixo e comprove.

"Rock That Groove":



"We Love That Acid":

segunda-feira, 31 de julho de 2017

I'm Like a Bird


Com uma abordagem muito particular sobre a música eletrônica - o que inclui o uso de alguns instrumentos nem tão convencionais ao gênero (como o sagrado trio baixo-guitarra-bateria) e outros que fogem a qualquer tipo de categorização (brinquedos e até um sincronizador de filmes 35mm) - o quarteto mezzo americano mezzo canadense baseado em Toronto, Holy Fuck, segue entortando o óbvio com seus experimentos que fundem ousadamente o orgânico e o sintético - a despeito do grupo dispensar formalmente o uso de computadores em suas composições.

Somando quatro álbuns na discografia (o mais recente, o elogiado Congrats, é do ano passado) e vários singles no currículo, a banda acabou de lançar o novo EP, Bird Brains, pelo selo californiano Innovative Leisure, gravado no esquema ao vivo do "1-2-3-4, valendo!". A faixa título foi disponibilizada no Youtube há alguns dias num curioso vídeo que traz a banda animando uma festa que "...explora a ideia da histeria em massa", segundo a diretora Allison Johnston. Investindo no lado mais cerebral da dance music numa canção que poderia ser definida como um mix improvável dos pioneiros Silver Apples com o injustiçado Add N To (X), "Bird Brains" pode não soar familiar ao ouvinte médio numa primeira audição, mas leva pouco tempo para a estranheza viajar do cérebro para os pés.

"Bird Brains": entortando a dance music.

domingo, 30 de julho de 2017

A Volta Do Que Não Foi


O duo synthpop Monarchy deu azar de ter começado a chamar atenção por volta de 2010, justo numa época em que todo mundo estava maravilhado com o Hurts. Com uma bem cuidada e misteriosa imagem e uma sequência empolgante de singles ("Gold in the Fire", "The Phoenix Alive") e até um lado B que causou frisson na blogosfera ("Black, The Colour Of My Heart"), o duo formado por Andrew Armstrong e Ra Black viu seu álbum de estreia (autointitulado) ser abortado pela gravadora Mercury Records, que rompeu o contrato com a dupla meses depois de tê-lo assinado. O bom debut só sairia no ano seguinte, com novo nome (Around the Sun) pelo selo 100% Records, quando o interesse pela sua música parecia ter diminuído. A dupla chegou a encerrar atividades um mês após o lançamento do segundo disco (o razoável Abnocto, de 2015), mas reconciliou-se pouco tempo depois, continuando a gravar (lançaram o fraco EP de covers Re|Vision, ainda em 2015) e fazendo shows. Armstrong e Black retornam em 2017 com um novo single, "Hula Hoop 8000", agora lançado pela Warner Music espanhola. A canção é um technopop límpido e de fácil audição, que assimila elementos de flamenco e que tem nos vocais em falsete de Ra Black um diferencial decisivo - fugir do modelo barítono/atormentado de Dave Gahan (Depeche Mode) é altamente positivo num campo minado de imitadores - além de, musicalmente, o Monarchy ganhar em sofisticação em relação à seus coirmãos do segundo escalão (especialmente o futurepop urdido por boa parte das bandas germano-escandinavas). Eles continuam bons compositores de pop sintético, num sentido Vince Clarke da afirmação e embora "Hula Hoop 8000" ainda esteja longe das encantadoras canções da primeira leva do Monarchy, não é de se descartar que seu apelo pop faça-os voltar à ordem do dia.

 "Hula Hoop 8000": o Monarchy emerge mais uma vez.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Anything Box


Um mix ralinho de New Order (fase Factory) e indie pop tristonho, com letras especialmente mal feitas e um visual constrangedor. Esse é o californiano Anything Box. Comprei o álbum Peace (1990) por causa do semi hit "Living In Oblivion", mas hoje não tenho paciência de ouvir. É ruim demais. A xerocada na banda de Barney Sumner é óbvia (ouça "When We Lie" e "Kiss Of Love" e comprove), mas o Anything Box chegou nesse som com pelo menos cinco anos de atraso em relação ao outro lado do Atlântico. Soa defasado pacas. E piegas. Estranhamente cultuado em alguns países da América do Sul (vez ou outra rola um live modesto por aqui), o Anything Box ainda está na ativa - provavelmente vivendo de um passado onde disputava um lugar no segundo escalão com gente como When In RomeCause & Effect.

"Living In Oblivion": o título diz tudo.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Novas Manobras Eletrônicas


Em 2018 o Orchestral Manoeuvres in the Dark completa 40 anos e por enquanto o grupo prepara o terreno para o lançamento de seu décimo terceiro álbum, The Punishment of Luxury, programado para Setembro. Reduzido ao duo - que sempre foi a espinha dorsal da banda - Paul Humphreys e Andy McCluskey, eles acabaram de lançar o segundo single que precede o álbum (o homônimo "The Punishment of Luxury"). O primeiro, "Isotype", saiu em Maio:

"Isotype":



Tanto a faixa título quanto "Isotype" equilibram-se entre o eletrônico e o pop; nem tão ousadas quanto as faixas do absurdamente criativo Dazzle Ships (1983), nem tão escorregadias quanto as canções do fraco Universal, de 1996.

"The Punishment of Luxury":



Em comunicado a imprensa, McCluskey disse que "... neste álbum, conseguimos fazer coisas lindas com ruídos e padrões repetitivos..." e é mais ou menos isso que se ouve nos dois singles e especialmente em "La Mitrailleuse" (bem mais experimental), outra faixa que o OMD liberou para audição há dois meses.

"La Mitrailleuse":



A banda começa amanhã (28/07) a turnê de divulgação de The Punishment of Luxury, primeiro pelas Américas do Norte e Central, depois Europa, estendendo-se, a princípio, com datas até Dezembro.  



terça-feira, 25 de julho de 2017

Bolo De Carne


Confesso que passei batido pela faixa "Bon Appétit" - talvez por estar no meio de um disco fraquinho como esse Witness, último da Katy Perry. Isso até assistir o vídeo, tardiamente (foi pro Youtube em Maio). São quatro pantagruélicos minutos em que Katy é sovada, temperada e levada ao fogo pra cozinhar em alta temperatura, num festival de metáforas que dão margem a uma série de piadas óbvias, inevitavelmente. A música, agora vista por mim de outra perspectiva (a que associa o som a imagem, claro) é - justiça seja feita - bom pop, vai. E Katy Perry está mais gostosa do que nunca, prontinha pra ser comida (não resisti).

"Bon Appétit": delícia.

domingo, 23 de julho de 2017

Andiamo Alla Spiaggia


Termoli, uma antiga vila de pescadores, fica na Costa Adriática na pequena região de Molise, Itália. De um lugar ainda não muito explorado pelo turismo desenfreado e que tem suas praias muito bem preservadas - assim como seu centro histórico - e que praticamente multiplica por três o número de habitantes durante o verão, é que o DJ e produtor Marcello Mansur foi buscar inspiração para seu novo single, "Termoli (The Cala Sveva Song)". A música é um pouco do que a pequena Termoli representa: a fusão do moderno com o tradicional, praticamente uma jam com os violinos incisivos do excelente músico Amon Lima (da Família Lima) e os teclados e programações de Meme, numa house baleárica e sonhadora. Encaixa-se confortavelmente ao lado de canções como a clássica flautinha disco de Van McCoy em "The Hustle" (1975) e os doces assovios de Frankie Knuckles na espetacular "The Whistle Song" (1991). À venda com exclusividade pelo Traxsource, "Termoli" saiu pelo selo de Meme - o Memix Recordings - e vem com quatro remixes adicionais, por David Penn, Danny Dee, Bruce Leroys e Sonic Future.

"Termoli": pra dançar sonhando.

domingo, 16 de julho de 2017

Good Good Mix


Ótima pedida o recém lançado quadragésimo sexto volume da Late Night Tales, série de coletâneas realizadas desde 2001 pelo selo independente britânico Night Time Stories Ltd. e que traz sempre alguém bacana na curadoria (artistas como Groove Armada, Nightmares on Wax, Sly & Robbie, Jamiroquai, Belle & Sebastian, Air e Fatboy Slim, já mixaram suas preferidas do fim de noite para a série). 


Desta vez a seleção ficou aos cuidados dos canadenses do BadBadNotGood e traz uma mistura bem eclética, mas que conversa muito bem entre si, como deve ser um bom set. Tem soul divino ("Don't Let Your Love Fade Away" de Gene Williams [1970], "Home Is Where the Hatred Is" de Esther Philips [1972] e "Oh Honey" do Delegation [1978]); reggae paleolítico ("People Make The World Go Round" de Errol Brown And The Chosen Few [1972]); o jazz-funk cabeçudo de Thundercat ("For Love I Come", de 2011); rock lisérgico ("Baby", dos ilustres desconhecidos - pra mim - Donnie & Joe Emerson [1979]); representantes de Gana, Etiópia e Camarões (Kiki Gyan, Admas e Francis Bebey, respectivamente); eletrônica experimental e retrô (Boards of Canada e Stereolab) e, para minha total surpresa, o groove sensacional de Erasmo Carlos em "Vida Antiga".

Conforme indica o próprio pessoal do BadBadNotGood, "...este mix vai te deixar em boa companhia numa noite tranquila, sozinho ou com amigos. Você pode ouvi-lo no avião, no ônibus, em uma longa caminhada ou em qualquer situação em que você queira uma trilha sonora para reflexão e meditação." Altamente recomendável.


Uma amostra do Late Night Tales do BadBadNotGood: numa nice, numa relax.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: 2 Brothers On The 4th Floor


Mal comparando, a Eurodance foi o que a perigosamente rotulada EDM representa pros dias de hoje. Vejamos: apelativa, de fórmulas repetidas e com o olhar sempre desconfiado dos puristas. Hm. A receita da maioria dos projetos do gênero vindos - em sua maioria - da Alemanha, Holanda e Bélgica, continha ganchos fortes de sintetizador, refrão repetido ad nauseum, rappers disparando estrofes na velocidade da luz e um bumbo quicando quase sempre na casa dos 120 BPM. O 2 Brothers On The 4th Floor foi mais uma dessas armações, mas, ao contrário de gente como 2 Unlimited e Culture Beat, não teve lá um desempenho realmente digno de nota nas paradas. Apesar dos poucos hits, chegou a ser bem popular em pistas e rádios. O maior sucesso do grupo é "Dreams (Will Come Alive)", de 1994, que copia algumas ideias do single anterior, "Never Alone" (minha preferida). "Never Alone" não é nenhuma obra de arte, mas é bem feitinha, há de se reconhecer. Tem os vocais berrados (e muito competentes) de Desirée Manders, que, diga-se, era gata demais (confira no vídeo abaixo) e funde - ou dilui, depende do ponto de vista - house, hip-hop, Hi-NRG e pitadas de techno numa dance track, acima de tudo, eficiente. Bonitinha, vai.

"Never Alone": sonhos molhados.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

More Trumpet!


Começa a tomar forma o novo álbum dos californianos do Capital Cities. Em Setembro do ano passado rolou o bom single "Vowels" e há poucos dias os barbudos soltaram o EP Swimming Pool Summer, com quatro faixas zeradinhas e um remix. A faixa título tem tudo pra emparelhar com a excelente "Safe And Sound", de 2012 - até agora, o maior hit de Ryan Merchant e Sebu Simonian. "Swimming Pool Summer" repete o trompetinho característico do som do duo que pontua a bela melodia e a gostosa levada de violões e guitarras da canção. "Drop Everything" tem mais cara de EDM rasteira, mas os bons vocais da dupla e o trompete (ele de novo) provam que bate um coração electropop atrás da pilha de sintetizadores. Em "Drifting", a guitarrinha funky e as intrincadas harmonias vocais garantem um ponto a mais para o EP, enquanto que nem o vacilão Rick Ross consegue estragar a boa "Girl Friday". Por fim, um remix totalmente dispensável de "Swimming Pool Summer" (THCSRS Remix), que lima o trompete e o som de caixa da bateria e deixa a coisa toda meio cambaleante. Saldo final: meio synthpop e meio indie, o Capital Cities se destaca da manada pelo pop eletrônico bem feitinho, dançável e delicioso de ouvir. Eu aposto que voa alto, de novo.



"Swimming Pool Summer": esmero pop.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Príncipe das Trevas


Saiu hoje música nova do trip-hopper Tricky: "When We Die" tem vocais da sua ex-companheira de cama e mesa Martina Topley-Bird, que colabora com o músico inglês desde seu primeiro álbum (Maxinquaye, de 1995). A despeito do habitual (e muito bem vindo) clima soturno, a canção foi gravada em Berlim (onde Tricky vive desde 2015) e não nas catacumbas de Bristol e é tão boa quanto "The Only Way", lançada mês passado como o primeiro single do seu próximo álbum (Ununiform, que sai ainda esse ano). Promete.

"When We Die": doce melancolia.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Cutting The Air


Saiu no último fim de semana a nova dos australianos do Cut Copy, "Airborne". Pra você (como eu) que ficou mal acostumado com o alto nível do (synth)pop urdido pelo quarteto na boa estreia Bright Like Neon Love (2004) e, especialmente, no ótimo In Ghost Colours (2008) e viu a coisa flopar nos três álbuns seguintes, tenho que dizer que se "Airborne" ainda não lembra - nem de longe - aquele Cut Copy, ao menos é melhor que qualquer coisa que eles lançaram de 2011 pra cá. Guitarrinha funkeada com um baixo todo trabalhado no talento e vocais indie-verãozinho bem apreciáveis. Alentador.

"Airborne": mais uma tentativa.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

MahMiami


Depois do sensacional debut autointitulado, lançado em Maio do ano passado, a carioca Marcela Vale equilibra-se entre uma agenda cheia de shows e tempo pra gravar seu novo EP (que sai ainda em 2017), agora pela major Universal Music. A primeira faixa do trabalho, "Imagem", acabou de sair. No som, sai o synthpop oitentista e entra um Miami Bass relax, salpicado por timbres do clássico sintetizador Yamaha DX7 - o primeiro synth digital realmente bem sucedido da história, fabricado pela companhia japonesa entre 1983 e 1989. Quer dizer, se é um DX7 ou se é um synth virtual, eu realmente não sei, mas que a música é legal, é.

"Imagem": mais de seiscentas mil visualizações em menos de uma semana.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Londonbeat


Mezzo inglês mezzo americano, o quarteto Londonbeat parecia estar em todos os lugares em 1991. "I've Been Thinking About You" é uma espécie de Fine Young Cannibals houseificado e foi um hit devastador: chegou ao topo de mercados complicados como a Alemanha e Estados Unidos e a número dois na Inglaterra. Produzido por Martyn Phillips (The Beloved, Erasure), "I've Been Thinking About You" tem vocais soul num falsete afinadíssimo, piano sintético saltitante, guitarrinhas country & western e uma programação de bateria primorosa (repare na tenacidade de tapeceiro persa de Phillips ao encaixar os beats). São ingredientes que garantiram fácil o crossover rádios/pistas naquele inesquecível 1991, um ano especialmente foda para a dance music/eletrônica. Aqui no Brasil a febre durou mais uma temporada, quando a faixa foi incluída na trilha da novela O Dono do Mundo (exibida entre Maio de 1991 e Janeiro de 1992).

Computação gráfica paleontológica e muita cara de pau no vídeo do Londonbeat:

domingo, 11 de junho de 2017

Garbage House



Não tenha dúvida que os DJs e produtores suecos Axwell e Sebastian Ingrosso conhecem música. Se o que eles fizeram em suas carreiras solo ou com o infame Swedish House Mafia (junto com Steve Angello) tem mais a ver com dance ordinária ou com uma linha de produção de música de pista, você decide. Eu não gosto. 


Nem sabia que Axwell e Ingrosso continuaram gravando como dupla, depois do fim da máfia sueca da house, em 2013. Descobri essa semana, quando o EP More Than You Know caiu na minha timeline no Facebook. Isso me fez pensar que: 1) preciso dar uma filtrada no feed e 2) qualquer informação é válida, assim posso falar mal sem o remorso do "não ouvi mas não gosto".

Bom, "More Than You Know", a faixa título, engana bem. Durante seis segundos. É o tempo da introdução com uma guitarra escovada que parece preceder uma faixa funky e grooveada. Mentira. O refrão entra rachando, mesmo antes de qualquer estrofe. É o método Dr. Luke de composição de hits: não pode se perder muito tempo até chegar ao refrão. Nenhum tempo. Cinco segundos e olhe lá. Não tive paciência pra contar quantas vezes o refrão é repetido pelo insípido e desconhecido cantor (hahaha) Kristoffer Fogelmark, até porque esse é um dado irrelevante. "More Than You Know" é mais desse lixo EDM que você ouve por aí (casualmente ou não), de produção estrondosa pra funcionar bem nos fones de ouvido ou nos PAs bombados das pistas mais top (argh). Com "Renegade", parece que a coisa vai engrenar num acento de house francesa, de baixo elástico e vocais da dupla Salem Al Fakir e Vincent Pontare (?) maquiados por um filtro para, provavelmente, corrigir alguma deficiência. "How Do You Feel Right Now" e "Dawn" são o suprassumo da dance music eletrônica mais rasteira possível. A primeira com drops calculados, pausas que se limitam a repetir o título da canção e intervalos pra colocar as mãos pro alto. A segunda, uma melodia de synths "pra cima" obviérrima, que lembra vagamente algo que um dia se chamou progressive, mas hoje rotular isso como garbage house cai como uma luva.

No final da audição de More Than You Know, lembrei do álbum We're Only in It for the Money (clássico do Mothers of Invention de Frank Zappa, que completa 50 anos em Março do ano que vem). Claro que a lembrança não tem nada a ver com música e sim com o título. Sem a ironia de Zappa, claro.

"More Than You Know": jatinhos e mãos pro alto.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Rod Stewart


David Bowie, o camaleão do pop? E o Rod Stewart, então? Rhythm and blues na sua primeira banda no começo dos 60 (The Dimensions), hard rock no Jeff Beck Group, pop psicodélico no Faces, baladeiro emocional grandiloquente no início dos 70, technopop oitentista (o hit "Young Turks") e até disco music no auge do gênero (é famosa a história do "plágio inconsciente" de Stewart - foi o que ele alegou nos tribunais - quando chupou a melodia de "Taj Mahal" de Jorge Ben pra compor o refrão de seu maior hit de pista, "Da Ya Think I'm Sexy?", de 1978).

Normal pra um artista pop embarcar na onda disco na época, afinal, se o Queen ("Another One Bites The Dust"), Stones ("Miss You"), Blondie ("Heart Of Glass") e Paul McCartney ("Goodnight Tonight") podiam, porque não Rod Stewart?

Polêmicas à parte, nem sei dizer o que é mais espetacular nessa música, se a linha de baixo galopante ou o arranjo de cordas/sintetizadores magistral. Fato é que Stewart com sua voz de lixa sempre foi um craque do pop e cravou um hitaço disco inesquecível.

"Da Ya Think I'm Sexy": canastrão gente boa.

domingo, 4 de junho de 2017

Quando o Techno Era Pop

 

Senta que lá vem clichê: o pop é cíclico. Estava pensando nisso enquanto ouvia Galvany Street (Blaufield Music), novo álbum do Booka Shade. A dupla alemã começou lá no final dos 80 como um projeto synthpop, foi convertendo-se em house e agora, em 2017, achou que tinha a ver lançar um disco que é uma espécie de volta às raízes (mais um chavão ordinário). Não sei se Walter Merziger e Arno Kammermeier encheram o saco do seu tech house límpido e geométrico que gerou belos álbuns como Memento (2004) Movements (2006) ou só quiseram provar que, sim, eles podiam compor canções com estrutura pop de estrofe-refrão-estrofe e trabalhar com mensagens um tanto mais diretas (no caso, letras) quanto os sensacionais ganchos de sintetizador que fizeram a fama das (já) clássicas das pistas "Body Language", "Mandarine Girl" e "In White Rooms". Para isso, convidaram quatro vocalistas (a mim, todos desconhecidos), incluindo Craig Walker (o do meio, na foto acima), que canta em metade do álbum.

O produto final, se não é brilhante, é muito bom de ouvir. E se é assim, acredito que deve-se muito ao fato do Booka Shade ter dois produtores de mão cheia, com excelente gosto para timbres, texturas e batidas e ainda capazes de preencher cada espaço vazio na música com sons que quase passam despercebidos numa audição aleatória, mas são claramente perceptíveis com um bom par de fones de ouvido. São detalhes como a meticulosa programação de bateria de "Broken Skin", os mil teclados e o tratamento vocal de "Numb the Pain" ou os bleeps e micro ruídos que formam a base de "Peak". Afastando-se do 4x4 e formado em sua maioria por canções downtempo, Galvany Street traz poucos momentos propícios à pista de dança e, mesmo assim, com BPM médio: a suingada "Numb the Pain", os ecos de New Order de "Babylon" e o ótimo bassline amparado pelo refrão grudento de "Loneliest Boy". A baixa dançabilidade do álbum talvez não surpreenda os fãs (que já viram o Booka Shade experimentar com ritmos mais lentos em Cinematic Shades [The Slow Songs], de 2008), mas a  abordagem sugere uma aproximação do techno com o pop, mesmo, como tudo começou para a dupla.

"Babylon": das poucas faixas que induzem ao movimento de Galvany Street.



sábado, 3 de junho de 2017

Strange World

 O que Erasure e Alphaville tem em comum? O synthpop, o sucesso nos anos 80 (em menor escala, no caso do Alphaville), a carreira cambaleante nos 90 e o franco declínio nos 2000. Ambos acabaram de lançar novos álbuns e o resultado...


Strange Attractor (Polydor) é o sétimo disco do Alphaville, que tem como único membro original o alemão Marian Gold (nome artístico para o quase impronunciável Hartwig Schierbaum). A média até que é baixa, já que Marian lança um álbum a cada sete anos, desde o bom Forever Young (1984). Negócio é que depois do empolgante debut, o Alphaville não teve mais nenhum trabalho digno de nota. Alguns singles interessantes (como o relativamente recente "I Die For You Today", de 2010) e só. Strange Attractor pega leve com baladas a um passo da grandiloquência, sintetizadores macios, levadas de violão e os bons vocais de Gold, que aos 63 anos se mostra mais contido do que quando alcançava as notas altíssimas de hits como "Big In Japan" e "Sounds Like a Melody". Se você quiser arriscar uma ouvida em Strange Attractor, ignore o fraco single "Heartbreak City" e tente a razoável "House Of Ghosts", a boa "Around The Universe" e a fluída "Mafia Island". São as que se salvam.

"Heartbreak City": decepcionante.




World Be Gone (Mute) é o décimo sétimo (!) álbum do Erasure, numa carreira iniciada em 1986. Aliás, os discos do Erasure dos anos 80 são todos muito bons, com menção especial à The Innocents (1988), talvez o melhor da dupla formada por Andy Bell (vocais) e Vince Clarke (sintetizadores). O duo ainda adentrou respeitosamente os 90 com o bom Chorus (1992) e o incrível EP de covers ABBA-esque (também de 1992) e, depois disso, ladeira abaixo. Recentemente, o Erasure procurou trabalhar com novos produtores pra tentar um upgrade no som, como Frankmusik (em Tomorrow's World, de 2011) e Richard X (The Violet Flame, de 2014), mas os resultados foram tão pífios que os próprios Clarke e Bell resolveram girar os botões da mesa de som do estúdio nas gravações de World Be Gone (com a ajuda do engenheiro de som Matty Green). Bom, infelizmente não adiantou. O novo álbum é arrastado, modorrento, preguiçoso. Nada do technopop esfuziante de outros tempos, o que temos aqui são baladas tristonhas carregadas pelos teclados mais sem graça que Vince Clarke já tocou na vida. World Be Gone chegou em sexto na parada inglesa - o que não deixa de ser surpreendente. Se bem que ficar no número seis da tabela britânica hoje em dia significa vender o que? Umas cinco mil cópias? Não importa. Sinceridade que não tem nem o que indicar pra ouvir desse disco - que é, provavelmente, o pior da carreira do Erasure.
"Love You To The Sky": declínio.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Sexta Feira Bagaceira: Roxette


Vestidos para o sucesso, mas por puro acaso. O Roxette já era bem popular em sua terra natal, a Suécia, na segunda metade da década de 80, mas ainda não havia atingido as paradas internacionais. Calhou de um estudante americano levar uma cópia do recém lançado segundo álbum da banda, Look Sharp! (1988) para os Estados Unidos e entregar para uma rádio de Minneapolis, que passou a tocar o single "The Look". A faixa se espalhou rapidamente para outras estações, popularizando o Roxette na América e forçando a EMI a lançar o álbum por lá no ano seguinte, o que fez a dupla formada por Marie Fredriksson (vocais) e Per Gessle (vocais e guitarras) emplacar quatro singles pelo resto do mundo ("The Look", "Dressed for Success", "Listen to Your Heart" e "Dangerous") - dois deles no lugar mais alto do paradão da Billboard.

Com um apuro técnico invejável e um compositor pop brilhante (Per Gessle), o Roxette cravou várias canções em paradas e segmentos diferentes (pop, adulto-contemporâneo, dance). O crossover "Dressed for Success", por exemplo, invadiu rádios e pistas na virada 80/90 - tanto que ganhou um 12 polegadas com remixes em 1990. É pop perfeito feito por um duo que é herdeiro direto do ABBA, de refrãos eternos, hits inesquecíveis e um talento impressionante para direcionar sua música para o single - apesar de Look Sharp! ser bem apreciável (uma das minhas preferidas do disco, "Paint", nem foi single). O grupo continua excursionando e lançou seu álbum mais recente (Good Karma) ano passado.

"Dressed for Success": pop perfeito.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Nova Aparição de Fatima


Fatima Yamaha é um projeto de house e electro do holandês Bas Bron que não é lá muito prolífico em relação a sua produção. São onze anos de distância que separam o primeiro (2004) do segundo single (2015), até que ele resolvesse gravar um álbum. Agora em 2017, Bron retorna com Araya EP (Dekmantel), com um som que preserva as características de sua pequena e curiosa discografia, até aqui.

Araya tem a faixa título estendendo-se por seis minutos de tech house sci-fi instrumental, com arpejos sustentando os belos timbres de sintetizadores old school e condução rítmica 4x4 (usando o velho truque das palmas na caixa), que deixa tudo com cara de space disco à la Cerrone/Patrick Cowley (e funciona).

"Piayes Beach Bar and Grill" tem um ritmo mais engrenado - culpa do baixo sintético funkeado, mas monocórdico - e uma cama macia de teclados esvoaçantes em segundo plano. O pecado aqui é o timbre meio estridente do sintetizador que vai solando durante a faixa, que quase põe tudo a perder. Já a desnecessária "Romantic Bureaucracy" tem cara de lado B, mesmo: sons de piano bem reais na base, mas um teclado irritante no tema principal.



A julgar pelas três faixas de Araya EP, até que Bas Bron não está tão errado em lançar seus discos sob o pseudônimo Fatima Yamaha de forma homeopática. Sorvidos aos poucos, os EPs descem redondinho. Já um álbum inteiro (Imaginary Lines, de 2015) deixa um indelével sabor retrô na garganta que não significa exatamente que a experiência foi boa.